Amanhecer na Periferia

A Aurora chega à periferia de braço dado com o poeta, vibra, Lira Periférica.

Amanhece o dia.
O dia amanhece na periferia.
Abrem-se as janelas, das casas e barracões,
de tábuas e alvenarias,
E começa um novo dia.

O bar e mercearia do Seu Joaquim!
Já de portas abertas, pra vender pãozinho francês.
Dona de casa sai pra comprar o pão.
O ocioso, já com copo de álcool no balcão.
Homens e mulheres se enfrentando
nos pontos, à espera de lotação.
Uns já atrasados, outros já cansados.
Todos assalariados.

Amanhece o dia, na periferia.
Criança descalça, jogando bolinhas
Soltando pipas, enquanto a mãe grita.
É hora da creche, é hora da escola.
Uns vão, outros pedem esmola.
Os carrinhos de mão passando nas vielas
em busca de panelas.
Papelões, plásticos e latas velhas.
Vem o homem do queijo, a moça solta um bocejo.
Passa o verdureiro, maçã e algodão-doce, batem o tabuleiro.
O caminhão do gás apita primeiro.
Passa o carro de produtos de limpeza.
É assim o dia inteiro.
O carteiro juntamente com o bicheiro.
Um traz cartas de saudações nordestinas.
O outro quer o dinheiro dos vizinhos.
O cachorro late, a moto passa, o carro bate.
Meninos e meninas brincando de bicicleta.
Moleques que jogam bola, a toda hora.
Brincar de pega-pega, polícia e ladrão.
Esconde-esconde, a realidade de uma nação.
Os rapazes nos becos sempre alerta.
Nas ruas o apito de um guarda.
Na viela um corpo que cai.
Aquele não era mais um pai?

Amanhece o dia.
O dia amanhece na periferia.

Fonte: Jornalirismo

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