Chegada da Suzano deixa município mais isolado e sem perspectivas de crescimento

Sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Vila Nova dos Martírios

Sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Vila Nova dos Martírios

Por Larissa Santos, em  

O “Qual é a bronca” de hoje vai até Vila Nova dos Martírios, município de pouco mais de 11 mil habitantes, localizado no oeste maranhense. Nosso personagem é Francisco Neto* , pequeno produtor rural, morador do povoado Córrego Jabuti, a 10 km de Vila Nova dos Martírios.

A cidade está localizada às margens do rio Martírios, importante fonte de renda para muitos moradores que vivem da pesca. Mas Martírios faz referência não só ao rio. “Vivemos em um lugar de muitos martírios”, relata Francisco. Os rios estão secando, os peixes estão morrendo, as roças praticamente não existem mais.

Uma região que era rural por excelência, agora precisa comercializar alimentos e outros produtos de municípios vizinhos. Esses problemas mencionados por Francisco são consequências da instalação de grandes empreendimentos na região. O município é cortado pela Estrada de Ferro Carajás (EFC), de concessão da empresa Vale S.A., e tomado por áreas de plantação de eucalipto, que estão sob a responsabilidade da empresa Suzano Papel e Celulose.

“Eu moro encostado nos eucaliptos. Se cair uma árvore daquela, atinge a minha casa”, conta Francisco Neto. Pai de três filhos, ele relata que há dois anos a Suzano comprou as áreas de plantação de eucalipto, que antes era de domínio da Ceumar. Com uma fábrica sendo instalada em Imperatriz, ela pretende usar o eucalipto na produção de papel e celulose. Para dar conta da demanda, nesses dois últimos anos foram compradas áreas de grandes fazendeiros e os terrenos menores, dos pequenos produtores, não são de interesse para empresa.

“Eu já estou com vontade de sair daqui, meus vizinhos foram embora. Eu vou sair para trabalhar e fico preocupado com a minha mulher e meus filhos que ficam sozinhos”. Na situação de Francisco estão vivendo mais quatro famílias. Ele está preocupado com a contaminação da água, alimentos e o aparecimento de doenças que podem ser causadas com o agrotóxico que é jogado nas plantações e chegam até as suas residências.

Francisco Neto diz que não usa a água do rio, por isso construiu um poço. Porém, ele teme a escassez de água, já que o eucalipto consome um alto volume desse recurso, chegando até os lençóis freáticos.

A vontade de Francisco é vender sua propriedade e morar longe das plantações, mas, segundo ele, a empresa não compra terrenos menores que 100 alqueires de terra. “Vila Nova dos Martírios está sepultada. As estradas para os povoados do município estão em péssimas condições. Na época de chuvas, meus filhos ficam sem estudar ou precisam mudar para a cidade.

A Estrada de Ferro Carajás não trouxe benefício algum para nós. Rodeados por eucalipto, ninguém mais tem interesse por nossas terras”, desabafa.

Muitos moradores de Vila Nova dos Martírios e dos povoados do entorno, assim como Francisco, não veem perspectivas de crescimento para a cidade, mesmo com a presença de empresas como Vale e Suzano, que afirmam promover o desenvolvimento por onde passam.

Enviada por Mayron Régis.

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