7 Quilombos para você conhecer em São Paulo

por Hernani Francisco da Silva

Os quilombos foram localizados em locais de refúgio dos negros africanos  e afrodescendentes escravizados no Brasil e no Suriname, abrigando também minorias indígenas e brancas. Os escravizados fugiam das fazendas, entre os séculos XVI e XIX, e se abrigavam nos quilombos. Atualmente, as comunidades quilombolas passam por um processo de reconhecimento legal de sua existência por parte dos governos nacionais e das organizações internacionais.

No Vale do Ribeira, no estado de São Paulo, temos vários Quilombos que você pode conhecer,  listamos aqui   7 Quilombos que você pode visitar e  participar de seu cotidiano, observando seus conhecimentos tradicionais, visitando as belezas naturais e, principalmente, ouvindo as histórias de luta e resistência das comunidades, que contribuem até hoje para preservar as riquezas da sociobiodiversidade da região.

1 – Quilombo Pedro Cubas

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A ocupação das terras banhadas pelo Rio Pedro Cubas teve início com escravos fugidos de áreas de mineração de ouro no século XVIII. No século XIX, todo o Vale do Ribeira sofreu  pressões de grileiros de terras e latifundiários, incluindo a área das comunidades de Pedro Cubas. As famílias que conseguiram  ficar, trabalhavam nessas fazendas e praticavam a agricultura de pousio. Em meados de 1990, familiares que haviam saído da localidade, começaram a regressar a Pedro Cubas.

2 – Quilombo Sapatu

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A comunidade de Sapatu é subdividida em três localidades: Indaiatuba, Sapatu e Cordas, todas ligadas tanto pelas redes de parentesco e organização internas quanto pelas relações de uso e ocupação das terras. A comunidade foi formada por negros que fugiram do recrutamento forçado para combater na Guerra do Paraguai, por volta de 1870, e também por famílias que se estabeleceram na área vindas de outras comunidades da região em busca de terras para uso e moradia. É o caso de Julio Furquim, um dos netos de Bernardo Furquim, que veio da comunidade de São Pedro e fixou-se em Sapatu, em terras que adquiriu de um negro comerciante de Barra de São Pedro.

3 – Quilombo André Lopes

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A ocupação de André Lopes se deu a partir da expansão  territorial de grupos negros estabelecidos nos arredores de Ivaporunduva, São Pedro (antiga Lavrinha) e Nhunguara e de deserções do Exército por ocasião da Guerra do Paraguai. A história do quilombo está entrelaçada à da comunidade de Nhunguara, em função das estreitas relações sociais e de parentesco mantidas entre os dois núcleos. Os troncos familiares Vieira, Dias e Maia estão relacionados à formação do Bairro André Lopes.

A partir de 1830, os Vieira iniciaram a ocupação dos sertões de Nhunguara e dispersaram-se também para as terras de André Lopes. No fim do século XIX, a localidade da “gruta” da Tapagem, atualmente chamada de Caverna do Diabo, já era habitada. Segundo levantamentos históricos, um dos Vieira teria descoberto a caverna, que serviu como esconderijo para alguns negros durante a Guerra do Paraguai.

4 – Quilombo Nhunguara

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Nhunguara é uma comunidade remanescente de quilombos. Está localizada no Vale do Ribeira – SP entre os municípios de Eldorado -SP e Iporanga. Atualmente a comunidade é composta por 439 pessoas, a mandioca, o milho, o arroz, a batata-doce, a cana e o cará) é uma de suas principais atividades da comunidade

A terras que hoje são ocupadas pela comunidade são resultado da expansão territorial que grupos de negros do entorno, como Ivaporunduva e São Pedro (Antiga Lavrinha). No período de 1882 outros grupos, como os descendentes da família Morato de Almeida, se estabeleceram na área. Nhunguara foi a comunidade negra que liderou na região a produção de arroz, porcos, farinha de mandioca e aguardente de cana, aproximadamente até a década de 50 do século passado.

5 – Quilombo São Pedro

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Comunidade localizada no município de Eldorado, a aproximadamente 60 km do centro. O acesso se dá por travessia de balsa, na altura do km 41 da SP-165. Para chegar ao grupamento central, a chamada vila da comunidade, percorre-se 8 km em estrada de terra. A formação da comunidade está intimamente ligada com a da comunidade vizinha, Galvão, pois ambas têm parentesco com Bernardo Furquim, negro livre que chegou à região por volta da década de 30 do século XIX e ficou conhecido por ter mais de 20 filhos e constituir várias famílias.

6 – Quilombo Ivaporunduva

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É a comunidade quilombola mais antiga do Vale do Ribeira, anterior até mesmo à fundação do município de Eldorado. Ivaporunduva surgiu no século XVII pela ocupação de mineradores e seus negros escravizados. Com o declínio da extração do ouro na região, em meados do século XVIII, os escravos foram sendo gradativamente abandonados. A população negra que resolveu           ficar ali estabelecida foi ampliando seu domínio sobre as terras e Ivaporunduva transformou-se num lugar onde negros livres, libertos e também fugidos estabeleceram suas residências e áreas de cultivo. A formação do povoamento ocorreu antes de 1888, data da abolição da escravidão no Brasil.

7 – Quilombo Mandira

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A formação da comunidade se deu no século XIX, em 1868, quando o patriarca da família, Francisco Mandira, recebeu cerca de 2.880 hectares, em doação de sua meia irmã Celestina Benícia de Andrade. O patriarca era filho de uma escrava com o fazendeiro Antônio Florêncio de Andrade, dono da fazenda que existia no local onde hoje está a comunidade. Ainda hoje, é possível ver, em pé, as grossas paredes de pedra de um provável armazém da antiga fazenda, que foi construído pelos escravos que ali viveram. A fonte de renda mais presente e também a mais importante no orçamento das famílias de Mandira está relacionada à comercialização de ostras.

Fonte Afrokut

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